A resposta, numa linha

Sim. A água simples é permitida durante todo o período de jejum, até à colheita, e os laboratórios portugueses dizem-no sem rodeios: a CUF escreve que, mesmo em jejum, pode e deve manter-se hidratado, porque a água não interfere nos resultados. Jejum quer dizer não comer nem beber nada além de água: a água é a exceção prevista, não uma batota tolerada.

Se tem dúvidas sobre se pode beber água antes de fazer análises, a resposta é sim, e vale a pena dizê-lo com clareza porque a confusão é muito comum. Quando investigadores questionaram 150 pessoas à chegada a um laboratório, só 39% sabiam definir corretamente o jejum, e mais de metade não tinha recebido qualquer indicação. Se ninguém lhe explicou, está em maioria.

Porque é que a água ajuda em vez de atrapalhar

A primeira razão é prática. Beber água mantém as veias mais cheias, o que facilita a tarefa de quem colhe o sangue: a Joaquim Chaves Saúde lembra que uma hidratação adequada facilita a colheita, e a SYNLAB acrescenta que pode até contribuir para uma melhor amostra. As recomendações europeias sobre a colheita de sangue venoso tratam a preparação do doente como parte da qualidade da amostra, não como uma cortesia.

A segunda razão tem a ver com os próprios números. Quando falta água ao corpo, a parte líquida do sangue diminui, e alguns valores podem parecer artificialmente altos. Num estudo que provocou deslocações de líquidos com exercício, a hemoglobina e o hematócrito e a albumina subiram todos quando o volume do plasma desceu. Ficar doze horas sem água para ter a certeza consegue o contrário do que pretendia.

O que conta como água, e o que não conta

Água simples. Da torneira ou engarrafada, fresca ou morna: se não lhe juntou nada, conta.

Tudo o resto quebra o jejum, incluindo bebidas que parecem água. A Joaquim Chaves Saúde exclui o café, os sumos, o leite e as bebidas açucaradas, e a SYNLAB acrescenta as bebidas alcoólicas e os refrigerantes, porque o que contêm passa para o sangue e pode afetar os resultados. Isso abrange a água com limão, tão popular em jejum, a água aromatizada, a água de coco, as bebidas desportivas e os refrigerantes sem açúcar.

O café, mesmo a bica sem açúcar, é o erro mais frequente, e não é um pormenor: num ensaio controlado, o café com cafeína tomado uma hora antes de uma refeição tornou a resposta do açúcar no sangue 147% a 216% maior do que o descafeinado.

  1. Água simples: simA única bebida permitida durante o jejum, até ao momento da colheita.
  2. Café e chá: nãoBica, descafeinado ou chá de ervas esperam pelo fim da colheita.
  3. Água com limão ou bebidas «zero»: nãoRodelas de limão, gotas de sabor, pós de eletrólitos e refrigerantes sem açúcar acrescentam alguma coisa.
  4. Pastilha elástica e cigarros: nãoNão são bebidas, mas ambos fazem parte da lista do que evitar durante o jejum.

Quanta água beber, e quando

Não há meta. Beba como de costume, incluindo um ou dois copos na manhã da colheita. Não se trata de encher o depósito, apenas de não chegar seco depois de uma noite sem líquidos.

Há um cuidado próprio dos laboratórios portugueses: a Associação Portuguesa de Analistas Clínicos e o laboratório Germano de Sousa pedem moderação, porque o excesso de água interfere nas análises à urina. Se a requisição incluir uma urina, beba o habitual, sem forçar copos a mais antes de a colher.

Para a glicemia, os laboratórios pedem 8 a 10 horas sem comer, e um jejum assim é perfeitamente compatível com beber água normalmente. Se acordar com sede, beba. A sede na manhã de uma análise em jejum é um sinal para beber um copo de água, não uma prova de força de vontade.

Pode beber água antes de qualquer análise?

Sim. Se a sua requisição não pedir jejum, pode comer e beber normalmente, água incluída. A HbA1c é um exemplo frequente: pode comer e beber antes dela.

Também se pergunta muito se a resposta muda para a diabetes ou para o colesterol. Não muda. A água simples é permitida antes da glicemia, do perfil lipídico e de tudo o que estiver na mesma requisição.

Se alguma análise específica vier com uma indicação escrita para limitar a água, siga-a, porque foi escrita para a sua amostra. Fora isso, a água não é o problema numa manhã de análises; chegar sem ter bebido o suficiente é que pode ser.

Exercício, chá e outras dúvidas da manhã

Exercício: deixe o treino para depois. A CUF pede que não faça exercício físico durante o jejum, e o esforço intenso desloca líquidos, o que, no estudo acima, bastou para subir valores como a hemoglobina e a albumina. Vá a pé até ao laboratório, mas sem correr.

O chá, seja verde, preto ou de ervas, não é água, e uma pastilha de mentol também não conta. O cigarro espera igualmente pelo fim da colheita.

Hora do dia: as análises em jejum costumam ser marcadas de manhã, o que põe quase todo o jejum dentro do sono e torna a questão da água fácil de gerir.

Medicamentos e água

Tome a medicação habitual com água, salvo indicação contrária de quem a receitou, e diga à técnica de colheita o que toma. A água nunca é o problema; mudar um tratamento por conta própria é que pode ser.

Se usa insulina ou um comprimido para a diabetes como uma sulfonilureia, pergunte com antecedência o que fazer nessa manhã, porque tomar estes medicamentos como habitualmente em jejum pode baixar demasiado o açúcar no sangue.