Explicado, não apenas assinalado
Cada valor vem acompanhado do que mede, da distância a que está do intervalo do seu laboratório e do que o pode influenciar no seu caso.
Com cinco perguntas para fazer ao seu médico
Os seus resultados, lidos com os valores de referência do seu laboratório
Um boletim de análises completo tem muitas vezes dezenas de linhas, e quase sempre pelo menos um valor fica fora do intervalo de referência. Clique em «Ler as minhas análises» para perceber o que não está bem.
PDF ou fotografia · Qualquer laboratório · O seu relatório em poucos minutos
TSH
A vigiar · H4,90µUI/mL
Referência: 0,40 – 4,00 µUI/mL
O relatório completo ordena cada valor pelo que merece atenção, com os valores de referência impressos pelo seu próprio laboratório, e depois explica cada um.
O que a leitura faz, em três pontos
Cada valor vem acompanhado do que mede, da distância a que está do intervalo do seu laboratório e do que o pode influenciar no seu caso.
Com cinco perguntas para fazer ao seu médico
O boletim é percorrido por inteiro, linha a linha, e cada valor é classificado, incluindo os que o seu laboratório não assinalou.
Quatro níveis de leitura: requer acompanhamento médico, a vigiar, normal, excelente
O mesmo número não quer dizer o mesmo de um laboratório para outro. A leitura usa os intervalos impressos no seu boletim, não uma tabela genérica.
Os seus limites, a sua idade, o seu sexo
Preço único
Relatório completo
9,90 €
Pagamento único, sem subscrição
O relatório completo explica os resultados das suas análises um a um: que valores merecem atenção, porque é que um valor saiu do intervalo, o que o influencia no seu caso e o que perguntar ao seu médico. Ajuda a perceber o boletim, nunca faz um diagnóstico, e o preço é apresentado antes de decidir.
O método
Uma linha do seu boletim
| Análise | Resultado | Unidade | Valores de referência | Sinalização |
|---|---|---|---|---|
| Hemoglobina | 11,4 | g/dL | 12,0 – 15,5 | L |
| Plaquetas | 262 | ×10⁹/L | 150 – 400 | |
| TSH | 4,90 | µUI/mL | 0,40 – 4,00 | H |
A mesma análise pode aparecer escrita de duas formas: VGM num boletim, volume globular médio no seguinte. É a mesma medida.
A apresentação muda de um laboratório para outro, e o número de colunas também. Mas cada linha responde sempre às mesmas perguntas: que análise, que resultado, em que unidade, face a que valores de referência e se o valor está assinalado. Leia-as por esta ordem e a parede de números começa a fazer sentido.
01 · Análise
O nome da análise diz o que foi medido, e nada mais. As abreviaturas mudam de um laboratório para outro: a mesma medida aparece como VGM num boletim e como VCM ou volume globular médio no seguinte, e as transaminases como ALT e AST ou como TGP e TGO. Perceber as suas análises começa aqui: saber o que foi medido antes de se preocupar com o número ao lado.
02 · Resultado
O seu valor é uma medição, numa amostra, numa manhã. Não é uma média da sua saúde, e varia com a hidratação, a hora da colheita e o que fez na véspera.
03 · Unidade
O valor não quer dizer nada sem a unidade. O mesmo número em g/dL e em g/L difere dez vezes, e um colesterol em mg/dL não se compara com um em mmol/L (200 mg/dL correspondem a cerca de 5,2 mmol/L): é por isso que um número copiado de um boletim para a tabela de outro laboratório pode parecer alarmante e estar normal.
04 · Valores de referência
O valor de referência é o intervalo que este laboratório considera habitual, com o seu próprio método e, em algumas análises, consoante a sua idade e o seu sexo. Não é uma norma nacional, e é o único intervalo que se aplica ao seu valor.
05 · Sinalização
A forma de assinalar um resultado muda de um laboratório para outro: um número a negrito, um asterisco, uma seta para cima ou para baixo, as letras H ou L, e por vezes nada. Seja qual for a forma, é a mesma comparação automática: o seu valor face aos dois limites ao lado. O que nunca diz é quanto se afasta: um valor logo acima do limite e outro três vezes acima recebem exatamente a mesma marca.
Um intervalo de laboratório não é uma fronteira entre doentes e saudáveis. É calculado para abranger 95% das pessoas saudáveis, o que deixa de fora os outros 5%, que estão perfeitamente bem. Dito de forma simples: em cada vinte pessoas saudáveis, uma terá um valor assinalado numa qualquer análise, só porque o intervalo foi traçado assim.
Um painel de vinte análises feito a uma pessoa saudável tem cerca de duas hipóteses em três de mostrar pelo menos um valor assinalado.
O negrito, o asterisco, a célula destacada: marcam uma distância em relação ao grupo, não um veredicto sobre si. O que importa é que valor, quanto se afasta, em que sentido, ao lado de que outros e em que contexto clínico.
Um único valor assinalado em análises que, de resto, estão normais é o resultado mais comum que existe.
Os valores de referência não são normas nacionais. Cada laboratório define ou valida os seus, porque dependem do aparelho, do lote de reagentes, da calibração, do método de medição e da população que serve. Dois laboratórios a vinte minutos um do outro podem imprimir limites diferentes para a ferritina ou a TSH, e ambos estarem certos.
A consequência prática: nunca compare o seu valor com um intervalo encontrado noutro sítio. Compare-o com o intervalo impresso na mesma folha que o valor. E se mudar de laboratório a meio de um acompanhamento, conte com um degrau na sua curva que vem do método, e não da sua saúde.
É também por isso que o relatório completo usa os valores de referência do seu próprio boletim, em vez de aplicar os seus.
Uma linha é um dado. Um boletim lê-se como um conjunto, à luz do seu historial, dos seus tratamentos e do motivo pelo qual as análises foram pedidas.
Uma ALT elevada depois de uma gastroenterite, de uma noite de copos ou do início de um medicamento novo não é três vezes o mesmo achado. Uma hemoglobina baixa com glóbulos vermelhos pequenos e ferritina baixa lê-se de uma maneira; a mesma hemoglobina com glóbulos vermelhos grandes, de outra. E um valor que se desloca dentro do seu próprio intervalo ao longo de três anos pode dizer mais do que um resultado assinalado uma única vez.
A pergunta útil não é «esta linha está normal?», mas «o que dizem estas análises e o que deixam em aberto?». É aí que começa uma leitura análise a análise.
Mais de vinte artigos detalhados, organizados em quatro guias. Abra o que responde à sua pergunta.
As perguntas que os doentes mais fazem ao ler as suas análises, cada uma com a respetiva fonte.
Leia cada linha sempre pela mesma ordem: o nome da análise, o seu resultado, a unidade, os valores de referência que o laboratório imprime ao lado e, por fim, a sinalização, se existir (negrito, asterisco, seta, H ou L). Só depois veja quanto um valor assinalado se afasta, em que sentido e se outras linhas relacionadas também mudaram. Um intervalo de referência descreve pessoas saudáveis medidas com o método daquele laboratório: por isso, o que se aplica a si é o que está impresso no seu próprio boletim.
Não existe uma tabela única. Cada laboratório define ou valida os seus intervalos, normalmente a partir de pelo menos 120 pessoas saudáveis: guarda-se a faixa onde caem 95 de cada 100 resultados, para um método, um grupo etário e um sexo. É por isso que os limites mudam de um laboratório para outro, e que só os do seu boletim valem para os seus resultados. As tabelas gerais que circulam na internet servem apenas de orientação.
H indica que o valor está acima do intervalo de referência do laboratório e L que está abaixo. Muitos laboratórios usam em vez disso um asterisco, o negrito ou uma seta, e alguns não assinalam nada. Seja qual for a forma, a marca só diz que o valor saiu do intervalo, nunca quanto: um valor que mal passa do limite recebe a mesma marca que um muito afastado. Compare sempre o número com os dois limites impressos ao lado.
Quase sempre quer dizer menos do que parece. Como o intervalo de referência é traçado em torno de 95 de cada 100 pessoas saudáveis, uma pessoa saudável em cada vinte fica fora dele em qualquer análise, e num painel de vinte análises cerca de duas pessoas saudáveis em cada três têm pelo menos um valor assinalado. O que importa é quanto o valor se afasta, em que sentido, se uma nova análise o confirma e o que mais muda ao mesmo tempo.
Quando o laboratório ou o seu médico o contactam diretamente; quando um valor está muito longe do intervalo, e não apenas logo acima ou abaixo do limite; quando várias linhas relacionadas se alteram ao mesmo tempo; quando um valor continua a afastar-se de uma análise para a seguinte; ou quando o resultado vem acompanhado de sintomas. Os estudos com doentes que consultam os resultados online mostram que são precisamente os valores no limite que geram mais dúvidas.
Muitas coisas que não são doença: uma refeição recente, o álcool da véspera, exercício intenso, café ou tabaco na própria manhã, alguns medicamentos e suplementos. A própria colheita também conta: um garrote apertado durante mais de um minuto, ou abrir e fechar a mão durante a colheita, pode alterar vários resultados e fazer subir falsamente o potássio. É por isso que as recomendações europeias de colheita definem como se preparar e como colher a amostra.
Nem sempre. A glicemia em jejum, como o nome indica, pede jejum, e o laboratório indica-lhe quantas horas. Para o colesterol, o consenso europeu de 2016 da European Atherosclerosis Society e da EFLM considera que o perfil lipídico não precisa de jejum por rotina: depois de uma refeição normal, as variações são pequenas. Se os triglicéridos sem jejum passarem de cerca de 5 mmol/L (440 mg/dL), pede-se uma nova análise em jejum. Na dúvida, siga a indicação do seu laboratório.
Os resultados eletrónicos das análises prescritas pelo seu médico de família ficam disponíveis na área pessoal do SNS 24, no site ou na aplicação. Nos laboratórios privados e nos hospitais, os resultados costumam chegar por correio eletrónico, por SMS com uma senha ou pela área de cliente do próprio laboratório. Ter os resultados à mão não substitui a consulta: é o seu médico quem os avalia à luz da razão pela qual as análises foram pedidas.
Não existe uma lista única: as mais importantes são as ligadas ao motivo do pedido. Numas análises de rotina, o médico costuma olhar primeiro para o hemograma (hemoglobina, glóbulos brancos, plaquetas), a glicemia, a função renal (creatinina e taxa de filtração), o ionograma, as transaminases e o perfil lipídico. Alguns valores são julgados face a limiares de decisão e não só face ao intervalo do laboratório: segundo a norma da Direção-Geral da Saúde, uma glicemia em jejum igual ou superior a 126 mg/dL indica diabetes, e numa pessoa sem sintomas tem de ser confirmada numa segunda análise, uma a duas semanas depois.
Raramente, e sobretudo antes da análise propriamente dita. Num estudo com mais de 51 mil análises hospitalares, cerca de 3 em cada 1000 foram afetadas por um erro de laboratório, e 62% desses erros aconteceram antes de a amostra chegar ao aparelho: identificação, colheita, transporte. Os erros da análise em si foram 15%. É por isso que um resultado surpreendente e isolado costuma ser repetido antes de qualquer decisão.
Por vezes dão pistas, mas umas análises normais não excluem a doença, e umas análises fora do intervalo não a confirmam. Algumas alterações, como uma inflamação sem explicação, aumentam a probabilidade de uma doença séria e levam a outros exames: num grande estudo em cuidados de saúde primários, 3,5% dos doentes com um marcador de inflamação elevado tiveram um diagnóstico de cancro no ano seguinte, contra 1,5% quando o marcador estava normal. Esses marcadores deixavam escapar cerca de um cancro em cada dois: sozinhos, não servem nem para alarmar nem para tranquilizar.
Um pouco, e por pouco tempo. Uma meta-análise de quase 300 estudos mostrou que um stress de apenas alguns minutos já altera algumas medidas imunitárias no sangue, enquanto um stress prolongado atenua outras. Na prática, o que acompanha o stress pesa muitas vezes mais: uma noite mal dormida, uma refeição saltada, mais café, um treino intenso na véspera. Se um valor lhe parecer desajustado do modo como se sente, fale disso com o seu médico antes de tirar conclusões.
É um pagamento único, sem subscrição, com reembolso a pedido e sem justificação. O relatório classifica cada valor face aos valores de referência do seu próprio laboratório, identifica os que merecem atenção, explica cada um e acrescenta um resumo por sistema, um plano de ação e cinco perguntas para o seu médico. O preço é apresentado antes de decidir.