Quanto custam as análises ao sangue, em resumo

Não há um preço único, e a diferença entre caminhos é maior do que parece. Se o médico de família lhe passou uma requisição no SNS e a faz num laboratório convencionado, não paga nada: as taxas moderadoras deixaram de se aplicar às análises prescritas no SNS. Com um seguro de saúde, paga um valor fixado pela rede, que para um hemograma completo fica em poucos euros. A título particular, sem requisição nem seguro, paga o preço que o laboratório pratica.

Por isso, a resposta honesta a «quanto custam as análises ao sangue» é: depende do caminho e do número de linhas. Paga-se análise a análise, e não pelo título no topo da requisição. Um ionograma, um perfil lipídico e um hemograma são três linhas, cada uma com o seu preço, e uma requisição com quinze linhas custa mais do que uma com três, mesmo que ambas digam «análises ao sangue».

0 €
Análises prescritas no SNS e feitas num laboratório convencionado[2]
até 5,50 €
Hemograma com plaquetas para clientes do seguro Médis Light[7]
3 a 6 €
Hemograma com plaquetas na rede AdvanceCare, valores de referência de 2025[8]

Pelo SNS: com requisição do médico de família

É o caminho mais barato, e é gratuito para o utente. Desde 1 de junho de 2022, com o Decreto-Lei n.º 37/2022, as taxas moderadoras só se cobram numa urgência hospitalar quando a pessoa não foi referenciada pelo SNS e não fica internada. As consultas no centro de saúde e as análises e exames prescritos por um médico do SNS já não se pagam; a dispensa nos exames pedidos nos cuidados de saúde primários vinha de um decreto-lei de novembro de 2020.

Na prática, o médico de família emite a requisição, quase sempre eletrónica, e escolhe-se um laboratório com convenção com o SNS. No balcão, mostra-se o Cartão de Cidadão e os códigos da requisição desmaterializada; não há nada a pagar pelas linhas prescritas. Só as análises prescritas no SNS beneficiam deste regime: uma requisição passada num consultório privado é faturada ao seguro, ao subsistema ou ao próprio. Depois da colheita, os resultados de muitos laboratórios ficam também na app e no portal SNS 24, para onde mais de 800 prestadores já comunicam resultados.

  1. Requisição eletrónicaChega por SMS ou e-mail. Leve o «PIN Agendamento» e o «PIN Prestação», ou a guia de tratamento impressa.
  2. Credencial em papelOriginal, com vinheta do médico e do centro de saúde e as duas assinaturas. Cópias não são aceites.
  3. Cartão de CidadãoÉ pedido em todos os casos, com a requisição em papel ou eletrónica.
  4. Laboratório convencionadoConfirme antes, por telefone ou no site do laboratório, que o posto de colheita tem convenção com o SNS para análises clínicas.

Com ADSE ou seguro de saúde: o que se paga

Na ADSE, o subsistema dos trabalhadores da Administração Pública, há dois regimes. No regime convencionado, o beneficiário paga apenas a sua parte, fixada na tabela da ADSE, num prestador da rede. No regime livre, paga a fatura inteira e pede depois o reembolso, que demora e cobre só uma parte. A própria ADSE dá o exemplo de uma consulta: no regime convencionado custa ao beneficiário 5 €; no regime livre, paga-se a consulta ao preço do prestador e recebe-se depois um reembolso de 20,45 €. Para análises, a lógica é a mesma.

Nos seguros de saúde, o preço depende da rede e da apólice. Na tabela do Médis Light consultada a 8 de outubro de 2026, o hemograma com plaquetas custa ao cliente até 5,50 €, a glicose e a creatinina até 1,10 €, o colesterol total até 1,65 € e os triglicerídeos até 3,30 €. Na rede essencial da AdvanceCare, os valores de referência de 2025 vão de 3 a 6 € para o hemograma e de 0,50 a 1,50 € para a glicose. Fora da rede, a regra passa a ser a do reembolso previsto na apólice.

Quanto custa fazer análises no privado?

A título particular não há uma tabela nacional. Nenhuma entidade fixa os preços que os laboratórios cobram aos particulares: cada um define os seus. Um levantamento publicado em 2019 encontrou o colesterol total a preços entre 1,50 € e 4,00 € consoante o laboratório, e a sedimentação da urina entre 1,00 € e 7,00 €. Os valores mudaram desde então, mas a lição mantém-se: a mesma análise pode custar o dobro ou o triplo a poucos quilómetros de distância.

Pode fazer análises sem prescrição médica num laboratório privado, pagando-as do seu bolso. Nesse caso, nem o SNS, nem a ADSE, nem o seguro comparticipam. Muitos laboratórios publicam a tabela de preços particular ou têm-na no balcão; peça-a com a lista de análises na mão, porque o total segue as linhas efetivamente feitas.

Quanto custam umas análises ao sangue completas?

«Análises ao sangue completas» não é um produto normalizado e, por isso, não tem preço normalizado. O total é a soma das linhas: hemograma, glicose, perfil lipídico, função renal e hepática, TSH, vitamina D, cada uma com o seu preço. É também por isso que as mesmas palavras em duas requisições podem dar totais muito diferentes.

Os laboratórios vendem pacotes de check-up com uma lista fechada de análises. Um exemplo: o «Check-up Coração Saudável» de um grande laboratório inclui colesterol total, HDL, LDL, triglicéridos e glicose, pede 10 a 14 horas de jejum e dá resultados em 24 horas. Saber o que está dentro do pacote é mais útil do que o nome que tem.

Mais linhas não quer dizer mais segurança. Uma análise de 2026 a 76 painéis vendidos diretamente ao consumidor nos Estados Unidos e na Europa concluiu que 58 % das análises incluídas eram de pouco valor ou suscetíveis de levar a exames de seguimento desnecessários, e o maior painel devia produzir quase dez falsos alarmes por cada comprador saudável. Uma revisão Cochrane de 17 ensaios aleatorizados concluiu que os check-ups gerais em adultos têm pouco ou nenhum efeito na mortalidade. Essa evidência diz respeito ao rastreio de pessoas sem sintomas; não se aplica a análises pedidas por uma razão, ao seguimento de uma doença conhecida ou à investigação de um sintoma.

Antes da colheita: peça o preço

Pode, e deve, perguntar o preço na receção antes da colheita. A requisição tem tudo o que o laboratório precisa para responder, e uns minutos de perguntas mudam mais a conta do que qualquer decisão tomada depois.

  1. Diga por que caminho vemSNS, ADSE, seguro ou particular. O preço de cada linha muda com a entidade que paga.
  2. Peça o total linha a linhaQuais as análises cobertas e quanto fica o resto. O laboratório consegue responder a partir da requisição.
  3. Compare o pacote com a listaSe lhe propuserem um check-up, compare as análises incluídas com as que o médico pediu. Pode estar a pagar linhas a mais.
  4. Corte antes de pagarSe o total for alto, pergunte ao médico que linhas são essenciais. Algumas podem esperar; só quem prescreveu sabe quais.

Se a fatura não bater certo

Compare a fatura com o orçamento ou com o preço que lhe deram, linha a linha, e peça uma fatura discriminada se a que recebeu só mostra o total. Uma linha que não reconhece é uma pergunta legítima para o balcão.

Se o laboratório lhe cobrou análises que deviam estar cobertas pela requisição do SNS, ou um preço diferente do anunciado, tente primeiro resolver com o prestador. Se não resultar, pode reclamar no Livro de Reclamações, em papel ou eletrónico. As reclamações sobre prestadores de cuidados de saúde, públicos ou privados, são acompanhadas pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS).